Lei que garante pensão a crianças com microcefalia tem fila 'parada', e mais de 100 famílias aguardam pagamento em Pernambuco

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
Benefício do INSS ainda não chegou para mais de 100 crianças com microcefalia Nove meses após a promulgação da lei federal que garante indenização a crianças nascidas com microcefalia associada ao Zika vírus, muitas delas ainda não tiveram acesso ao benefício a que têm direito (veja vídeo acima). A norma, promulgada pelo Congresso Nacional em junho de 2025, estabelece o pagamento de R$ 50 mil às famílias, além de uma pensão vitalícia de R$ 8.475 por mês. Em Pernambuco, cerca de 350 famílias recebem o valor, equivalente ao maior salário de benefício do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). No entanto, mais de 100 crianças seguem sem acesso ao recurso. Em todo o país, aproximadamente 1,5 mil crianças e famílias são impactadas. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE De acordo com Germana Soares, presidente da Associação de Mães de Anjos, que apoia famílias afetadas pela síndrome congênita do vírus da Zika, a fila para a concessão dos pagamentos está parada desde janeiro deste ano. A demora na concessão dos benefícios começou a ser notada após decisão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que transferiu a análise dos pedidos da Superintendência do Nordeste, no Recife, para a do Norte e Centro-Oeste, em Anápolis (GO). "Além de a gente ter demorado dez anos para conseguir trazer uma reparação, fazer com que o estado brasileiro reconhecesse que fomos vítimas de descaso público, de algo que foi considerado uma emergência internacional de saúde. Nós peregrinamos esses anos todos para, depois de aprovar a lei, a gente enfrentar essas burocracias internas do Ministério da Previdência e do INSS", afirmou. Germana disse que as famílias cobram mais agilidade na análise dos processos requeridos pelas famílias pernambucanas. "O que cobramos é uma providência desses dois órgãos de celeridade, de precisão, que eles se organizem para dar o direito a realmente quem tem", afirmou. A TV Globo procurou o INSS para saber por que os benefícios de mais de 100 famílias ainda não foram concedidos e por que os pedidos estão sendo analisados em Goiás, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. "Me sinto angustiada" Isabel Albuquerque, mãe de Matheus, de 10 anos, está entre as famílias que já recebem o recurso em Pernambuco. Reprodução/TV Globo Isabel Albuquerque, mãe de Matheus, de 10 anos, está entre as famílias que já recebem o valor. Ela contou que o dinheiro é necessário para garantir melhor qualidade de vida ao filho, que precisa de diversas terapias e cuidados constantes. "Renovei as talas de braço e de pernas. Investi em um recurso que a gente trabalha muito comportamento, que é o ABA (Análise do Comportamento Aplicada), porque muito da questão de Matheus é comportamental, então todo esse investimento a gente conseguiu fazer depois que a gente entrou na regra da lei e está recebendo o salário", disse. A realidade é diferente da de Conceição da Silva, mãe de Ágatha, também de 10 anos. Ela ainda não foi contemplada pela lei federal e recebe apenas o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo por mês. Conceição disse que mora de favor em uma casa com escadaria, o que dificulta subir e descer os degraus com a filha nos braços. Segundo ela, também falta dinheiro para despesas básicas. "O povo pensa que é uma boneca, botou na cadeira e tchau. Não é assim, não. Tem que manter, tem que comprar roupa, a roupa está ficando pequena, tem que comprar remédio, comprar alimento, tudo. (...) Eu me sinto angustiada, triste, porque é o direito da minha menina, que ela tem direito, sim, de receber o dinheiro dela, como é que ela vai sobreviver sem esse dinheiro?", declarou. Edvânia da Silva, mãe de Laura, de 10 anos, também está entre as famílias que aguardam a indenização. "A gente não está brincando, a gente não está inventando, não está mentindo. A gente tem nossos filhos com as limitações, que estão precisando. A gente está precisando organizar a vida deles, dar uma melhoria, as nossas vidas, mas a gente fica com essa espera, que, até agora, nada, nenhuma resposta", disse. Conceição da Silva, mãe de Ágatha, de 10 anos, ainda não foi contemplada pela lei federal Reprodução/TV Globo VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias m

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/03/04/lei-que-garante-pensao-a-criancas-com-microcefalia-tem-fila-parada-e-mais-de-100-familias-aguardam-pagamento-em-pernambuco.ghtml


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