Santos supera a média do Brasil e se torna referência na vacinação contra HPV

  • 15/03/2026
(Foto: Reprodução)
Renato Kfouri fala sobre vacinação contra HPV A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, superou a cobertura vacinal do Brasil contra o HPV (papilomavírus). Em entrevista ao g1, o pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirmou que o município se tornou referência no assunto e deve ter a estratégia de vacinação replicada em outras regiões. A meta preconizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) é atingir 90% de cobertura vacinal. De acordo com a Prefeitura de Santos, 98,31% das crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos, receberam o imunizante na cidade em 2023. No ano seguinte, foram 97%. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Em 2025, dados preliminares da Secretaria de Saúde de Santos mostraram que o município aplicou o imunizante em 89,4% das meninas e 82,7% dos meninos, superando a cobertura brasileira que teve 82% das mulheres vacinadas e 67% dos homens. "Essas histórias de sucesso de municípios são para ser replicadas, apresentadas para comunidade", afirmou Kfouri, destacando a principal estratégia usada pela cidade: vacinação nas escolas. Vacinação contra o HPV em Santos, SP Carol Fariah/Prefeitura de Santos/Divulgação Vacina contra o câncer O pediatra esteve na cidade para participar do seminário 'HPV: uma experiência exitosa do município de Santos' na última terça-feira (10). Durante a visita, Kfouri conversou com o g1 e explicou que alguns dos mais de 200 tipos de HPV podem causar câncer, sendo o de colo de útero o mais comum. Segundo a Prefeitura de Santos, a boa cobertura vacinal contra o HPV fez com que a cidade apresentasse uma das menores taxas de câncer de colo de útero do Brasil, com uma diminuição de 66,6%. "É o primeiro vírus que a gente viu que se associa a câncer", destacou Kfouri. O especialista acrescentou que o país tem condições de reduzir os casos de câncer com a imunização. "A vacina contra o HPV é uma vacina contra o câncer. Quem nunca na vida não desejou que existisse uma vacina contra o câncer? Pois é, ela está aí [...]. O principal é o câncer de colo de útero na mulher, mas câncer de boca, de ânus, de pênis podem ser prevenidos com uma simples vacinação". Kfouri também contou os planos do Ministério da Saúde de incluir no PNI a vacina nonavalente, que protege contra nove tipos de HPV e está disponível apenas no sistema privado. Atualmente, a quadrivalente é aplicada gratuitamente nos postos de saúde. Veja a entrevista completa abaixo: Renato Kfouri participou de seminário sobre a vacinação contra o HPV em Santos, SP Gyovanna Soares/g1 e Prefeitura de Santos/Divulgação O que é o HPV e por que ele ainda é um vírus que preocupa tanto as autoridades de saúde? O HPV é uma abreviatura de papilomavírus humano, e é um vírus extremamente comum. Na maior parte das vezes, a transmissão é por via sexual. Pode ter transmissão pela placenta, pode ter no canal de parto. Já tem descrição de diversas formas de transmissão, por toalha, por banheiro, mas quase sempre, vamos dizer na totalidade, é a transmissão por via sexual. Ele é tão frequente que tem estudos aqui com adultos jovens brasileiros na média de 20 anos. Se você coletar em quem tem 20 anos, metade já teve um tipo de HPV. É muito frequente, não é essa história de 'promíscua, teve muitas [relações sexuais]', então esse é o primeiro mito que a gente derruba porque é um vírus que todos nós somos expostos. De que forma o HPV pode se desenvolver para um câncer? Tem mais de 200 tipos de HPV e tem uma dúzia deles que tem o potencial de causar câncer. É o primeiro vírus que a gente viu que se associa a câncer. A persistência desses tipos de vírus, não todos, mas de alguns desses, no organismo, vai levando a uma alteração onde ele está -- às vezes na boca, no ânus, no pênis, no colo do útero da mulher -- a esses tipos de lesões que vão se transformando em um câncer. Então, tem as lesões pré-malignas e depois do câncer propriamente dito. O câncer de colo de útero, entre esses cânceres todos de boca, de ânus, de pênis, de vagina, é o mais frequente. Estima-se que aqui no Brasil a gente tenha todo ano, mais ou menos, 17 mil novos casos de câncer de colo de útero por ano, seis mil mulheres morrem. No mundo, não é diferente. A vacina contra o HPV vai diminuir todos os cânceres, mas especialmente o colo de útero que é o mais comum. Então, a maioria da população pode ter o HPV, mas ele não necessariamente vai evoluir para um câncer? Ele é tão frequente que 80% da população vai ter, mas não é 80% da população que vai ter câncer. É só quem não consegue eliminar o vírus por questões do seu sistema imunológico. Não é todo mundo que tem o HPV que vai ter câncer, mas todo mundo que tem câncer começou com o HPV porque a maioria elimina o vírus e não desenvolve a lesão. Então, a gente tem duas formas de prevenir o câncer. Primeiro, tomar vacina e não ter o HPV, e a segunda forma é fazer o papanicolau, os exames de rotina, para se começar a detectar uma lesão inicial, tratar e não deixar ela virar um câncer. A prevenção primária, que é a vacina, é mais barata, funciona mais, evita tratamento. Ficar fazendo papanicolau, rastreando um monte de mulher todo o tempo, tratando as que têm lesões alteradas. Isso custa muito caro para o sistema de saúde. Então, vacinar evita toda essa cadeia de transformação. Vacinação contra o HPV em Santos, SP Divulgação/Prefeitura de Santos Como tem sido feita a vacinação contra o HPV no Brasil atualmente? As vacinas são feitas com esses tipos que mais causam câncer. Tem uma vacina com quatro tipos, a quadrivalente, que está no Programa Nacional de Imunizações, e já existe uma vacina nonavalente, com nove tipos, colocando mais cinco, que aumenta, obviamente, o espectro de proteção. Com a quadrivalente, a gente protege 70% dos casos de câncer, com a nonavalente vai para 90% dos casos de câncer de colo uterino. Então, esses cinco tipos a mais aumentam em 20%. É uma tendência do mundo substituir a quadrivalente, que é a que a gente usa no PNI, pela nonavalente, que por enquanto aqui no Brasil só está no sistema privado. Mas, há uma tendência de mudar. Há uma previsão para a vacina nonavalente vir para o Brasil através do Sistema Único de Saúde (SUS)? O ministério já começou as conversas com o laboratório produtor, tem um laboratório chinês, o Butantan também está trazendo a tecnologia para produzir no Brasil. A gente espera que no ano que vem a gente já tenha novidades. A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS, mas o Brasil e o Estado de São Paulo ainda não atingiram a meta do PNI. Quais são os fatores que podem ser usados para chegar nos 90% de cobertura vacinal? No Brasil, 86% das meninas, de 9 a 14 anos, são vacinadas, e 74% dos meninos. Ou seja, a gente tem um caminho ainda para chegar nos 90%. Olha, a vacinação de adolescentes nessa faixa etária nunca é uma tarefa fácil, especialmente por conta de questões de acesso. Muitas vezes o adolescente não frequenta unidade de saúde, não vai em posto de saúde, não tem doença, são pessoas saudáveis, diferente das mulheres que já frequentam, das grávidas, das crianças. Então, ele está à margem ali. A porta de entrada, muitas vezes, da vacinação do adolescente é a escola. Então, se a gente ficar esperando 300 adolescentes aparecerem em uma unidade de saúde. Acordou, levantou, com vontade de vacinar, conversou com a sua mãe, vai longe, precisa pegar ônibus, não vai. Agora, se você leva a vacina na escola, você faz 300 doses em uma única tarde em uma escola, ou seja, os programas de sucesso de vacinação em todo mundo, de adolescentes, tem como base a vacinação escolar. Isso a gente precisa cada vez mais fortalecer no país, levar a vacina até onde está o adolescente, fazer com que ele tenha contato e o acesso mais facilitado. Essa é a principal barreira. É claro que tem outras barreiras como desinformação, achando que a vacina dá efeito colateral, medo de reação. Claro, a vacinação é sempre multifatorial, mas a principal barreira de vacinação de adolescentes para melhorar essas coberturas é levar a vacina na escola. Renato Kfouri é pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações Prefeitura de Santos/Divulgação Em contrapartida, Santos tem atingido a meta do PNI. A cidade pode ser considerada uma referência na vacinação contra o HPV? Claro. Essas histórias de sucesso de municípios são para ser replicadas, apresentadas para comunidade, qual a estratégia que o município utilizou. Então, acho que todas essas iniciativas de sucesso são referência e precisam ser compartilhadas porque, muitas vezes, essas experiências exitosas feitas no município podem ser replicadas em outras regiões. Hoje, a gente também tem as ferramentas digitais, a busca ativa. Hoje, os registros de vacinas aplicadas, são nominais. Então, a gente sabe quem a tomou vacina, o CPF, o nome, endereço, e quem não tomou, o CPF, o nome e endereço. Hoje, tem um banco de dados que facilita muito a busca de faltosos. A busca tanto para vacinas que são mais de uma dose. No caso, HPV é dose única, mas tem vacina que são duas, três doses, tem muita gente que começa e não termina, então você consegue: 'Olha, essa aqui está faltando a terceira'. Mandar mensagem, SMS, WhatsApp. Pensando no futuro, o Brasil tem condições de reduzir drasticamente — ou até eliminar — os cânceres causados pelo HPV nas próximas décadas? Nós já temos um dado, uma publicação recente do estudo brasileiro comparando jovens que tem hoje 30 anos com quem tem 20, ou seja, populações de mulheres que foram alvos da campanha de vacinação há uma década comparando com uma geração anterior de 10 anos que não tomaram vacinação. A gente compara a incidência de câncer de colo de útero e de lesões pré-cancerosas a uma redução de 60% a 70% na incidência, tanto do câncer quanto das lesões pré-cancerosas, mostrando já impacto, comparando essas duas populações. Comparou também outros cânceres onde não houve diminuição, cânceres de mama, de pele e ânus continuaram iguais, mas câncer de colo de útero comparando essa população vacinada com uma geração que não foi vacinada, redução na ordem de 60% a 70%. Por que a vacina é indicada principalmente para crianças e adolescentes antes do início da vida sexual? Primeiro, que é uma idade que eles ainda não se expuseram ao vírus. Então, se você se expõe a um dos quatro tipos que estão na vacina, a vacina vai funcionar para os outros três, se aquele primeiro você já foi exposto. Claro que a vacina é boa mesmo para quem já começou a vida sexual porque você vai proteger daqueles que ele ainda não teve contato. Mas, idealmente você vai ter o melhor benefício da vacinação antes da vida sexual. Mais do que isso, o mais importante é que quando você vacina em uma idade menor de 15 anos, a vacina funciona melhor. A resposta de produção de anticorpos, a defesa do organismo funciona melhor do que você vacinar depois dos 15. Tanto é que é uma única dose, você vai vacinar alguém de 30 anos, você tem que dar três doses. Quando você vacina alguém de 9 a 15 anos, é uma única dose porque a vacina tem o desempenho da resposta imunológica do adolescente e, portanto, a resposta da vacina exige menos doses. Então, você vacina porque a resposta é melhor. Melhor vacinar com 10 do que com 15, melhor com 15 do que com 20, melhor com 20… Também, obviamente, está fazendo em uma idade em que ainda não houve exposição. Então, todos os países hoje adotam essa estratégia, vacinar de 9 a 14 anos, alguns de 9 a 20. Então, o Brasil atualmente está fazendo um resgate, né? Como a vacina está para meninos e meninas de 9 a 14, quem tem de 15 a 20, já deveria ter tomado porque já tem mais de 10 anos a vacina. Então, esses perderam a chance. Então, o Brasil está convocando, fazendo uma recuperação dos 15 aos 19 anos que não foram vacinados para receber essa vacina. Frasco de vacina contra o HPV Reprodução/EPTV Quem perdeu a idade recomendada ainda pode se vacinar ou buscar outras formas de proteção? Pode e deve. Não é a principal estratégia de saúde pública. Eu não vou vacinar todo mundo até 50 anos porque é muita gente, é muito dinheiro, muita gente já se expôs, o maior benefício não compensa. Mas, individualmente, tem uma filha de 30 anos que quer tomar a vacina? Pode e deve, a gente recomenda que tome porque ela vai se proteger dos HPVs que ela não teve. Então, é recomendado, sim, mas como estratégia, como olhar de saúde pública, não é muito custo efetivo. Você vai ter que investir muito dinheiro, muito recurso para imunizar muita gente para ter o benefício menor do que fazer isso na adolescência. Mesmo com a vacina, o exame preventivo continua sendo fundamental. Por que o Papanicolau ainda é tão importante? Como eu falei, tem muitos tipos de HPVs, a vacina cobre 70% deles. Se a gente mudar para a nonavalente, vai passar para 90% deles prevenidos pela vacinação, mas vão sobrar alguns onde a vacina eventualmente falhou e onde tem um HPV que não estava na vacina. Por isso, ainda se mantém o rastreamento que a gente faz periódico. Hoje, a gente está mudando do papanicolau para um teste melhor, o SUS está comprando um teste chamado teste de DNA HPV, ele é muito mais sensível do que o papanicolau, erra muito menos, muito mais fácil de coletar, é muito mais moderno. Então, a gente está migrando para o teste de DNA HPV para gente ter mais facilidade nesse rastreamento. São três os pilares, a gente faz a vacina para não ter HPV, faz o teste de DNA HPV ou papanicolau para ver quem escapou e, se achar alguém aqui, trata quem está doente, quem tem lesões. Então, hoje se fala em eliminar o câncer de colo de útero com essas três estratégias, que é a estratégia 90, 70, 90: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres testadas e 90% daquelas testadas positivas tratadas. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

FONTE: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/mais-saude/noticia/2026/03/15/santos-supera-a-media-do-brasil-e-se-torna-referencia-na-vacinacao-contra-hpv.ghtml


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